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Quem Está Matando Crianças no Brasil?

23 de Setembro de 2019, 11:39 , por luiz skora - | No one following this article yet.
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Com 19 anos em 1990 eu prestava o Serviço Militar Obrigatório no glorioso 20° Batalhão de Infantaria Blindada em Curitiba, no bairro do Bacacheri.

Entre as várias missões que recebia, era recorrente a guarda na 5ª CJM - Circunscrição Judiciária Militar.

Eram missões na maioria das vezes bastante tranquilas, mas nem sempre.

Numa madrugada de setembro ou outubro de 1990, por volta das 5 horas da manhã, eu estava no meu posto, na porta de entrada do prédio. Um veículo, Volksvagem Voyage se aproximou, um indivíduo desembarcou pela porta do carona e se aproximou das grades da instituição militar.

Tomei uma posição defensiva, engatilhei o Fuzil FAL e ordenei que o indivíduo parasse. Gritei: "Alto lá!"

Gritei novamente quando o indivíduo não parou e então, notei que ele tinha alguma coisa em sua mão. Podia ser uma granada, uma pedra ou, até mesmo uma batata.
Com o fuzil já engatilhado, tomei posição de mira e gritei mais uma vez: "Se não se afastar eu vou atirar!"

O indivíduo não parou e arremessou o objeto que tinha nas mãos contra o prédio (depois vi que era apenas uma pedra que apenas arranhou o reboco). Então embarcou no veículo que saiu em disparada.

Nisso, chegaram meus outros companheiros de missão, cinco outros soldados e um cabo. Todos com seus fuzis engatilhados e com adrenalina nas alturas em tempo de ver o veículo Voyage sair cantando pneus em direção da Rua Fagundes Varela.

Tudo isso aconteceu muito rápido, toda ação do atentado não demorou mais do que meio minuto.

Nem eu, nem nenhum dos seis militares que estavam comigo,  disparou contra veículo usado no atentado. Nós estávamos em maior número ( 7 contra 2), nós tínhamos maior poder de fogo ( 6 fuzis FAL calibre 7.62 com 20 munições cada + 1 pistola de 9mm, contra uma única pedra) e ninguém disparou um único projétil contra os autores do atentado.

Por que?

Auditoria da 6ª circunscrição judiciária militar cjm office

Ora, éramos todos garotos de 19 anos, bombadões com os hormônios explodindo pelos poros, com um tremendo poder de fogo nas mãos e loucos para entrar em ação. Por que caralhos ninguém ousou atirar contra os autores do atentado?

A resposta é simples e resume-se numa única palavrinha: TREINAMENTO.

O prédio da 5ª CJM, se localiza no final da pista de pousos e decolagens do Aeroporto do Bacaheri. Uma região residencial. Em frente ao prédio existe (ou existia) uma pracinha, um ponto de ônibus, várias casas simples e logo ao lado, uma escola. Todos nós sabíamos que só deveríamos disparar nossas armas como último e derradeiro recurso de defesa. Qualquer disparo alí poderia facilmente atravessar a parede de alguma das residências e ferir gravemente alguém que estivesse dormindo e só por isso, ninguém atirou.

O milico, seja ele soldadinho do EB ou Policial Militar, na hora da ação, do perrengue, não pensa, age pelo instinto adquirido durante o treinamento e esse treinamento não é pouco.

A tragédia que aconteceu e acontece no Rio de Janeiro, com o assassinato da menina Ághata e de outros tantos inocentes, não deve ser atribuída ao militar que atirou contra o lotação onde a menina estava ou aos praças da Instituição Polícia Militar do RJ.

A responsabilidade é toda do comando da PM e do modelo de segurança pública adotado pelos gestores desta que são, numa análise bastante gentil, no mínimo extremamente incompetentes.

Um policial bem treinado nunca atiraria contra a população civil a não ser como último recurso, quando sua vida ou de seus companheiros estivesse ameaçada - o que não foi o caso.

"MALDITO O SOLDADO QUE APONTA SEU FUZIL CONTRA SEU PRÓPRIO POVO" ( S. Bolivar)

O que acontece no Rio de Janeiro e também em outros estados do Brasil é só o último suspiro da Instituição Polícia Militar, uma instituição que já faliu que não cumpre mais seus propósitos e que serve apenas como instrumento de terror para políticos canalhas e muito mal intencionados bem como, como instrumento estatal para dar abrigo a quadrilhas de criminosos como as milícias e os barões do tráfico e comércio de drogas.

A Polícia Militar é uma instituição falida que precisa urgentemente ser extinta e a atual política de segurança pública e de encarceramento em massa, também.